sexta-feira, 31 de julho de 2009

Facas ou... A morte cotidiana

"Porque há desejo em mim, é tudo cintilância."
.Hilda Hilst.




Quero ser assistente do atirador de facas
E de olhos fechados
Quem sabe de repente
A lâmina corte rente
Esse sem fim de ais


E do sangue verta espuma
Como a Vênus nascendo do mar
E do meu corpo em carne e febre
O desejo se eleve,
A luxúria tome lugar

E como em um rito sacro
Seja meu corpo profanado
Entregue aos sete pecados
Ao paraíso consagrado

E nessa ciranda de facas
Misturados sangue e gozo
Me transmuto em madrugada
Para amanhã morrer de novo


* A foto é cena do filme A Mulher e o Atirador de Facas ou A garota na Ponte. Dica!

Um comentário:

  1. Boa articulação!

    Gostei muito do "ciranda de facas" - um achado.

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